Hoje eu resolvi postar outra coisa, estava eu procurando poemas na internet e dei com CONFISSÃO de Carlos Drummond de Andrade, vale a pena ler e reler !
Não amei bastante meu semelhante,
não catei o verme nem curei a sarna.
Só proferi algumas palavras,
melodiosas, tarde , ao voltar da festa.
Dei sem dar e beijei sem beijo.
(Cego é talvez quem esconde os olhos
embaixo do catre.) E na meia-luz
tesouros fanam-se, os mais excelentes.
Do que restou, como compor um homem
e tudo o que ele implica de suave,
de concordâncias vegetais, múrmurios
de riso, entrega, amor e piedade?
Não amei bastante sequer a mim mesmo,
contudo próximo. Não amei ninguém.
Salvo aquele pássaro -vinha azul e doido-
que se esfacelou na asa do avião.
Veja bem leitor, se você leu e releu e acha que não entendeu, preste atenção : A interpretação da poesia é claro quando o autor quer que seja, mas quando não, todos nós podemos entender de uma maneira diferente, depende do seu estado de espírito, seu momento, sua vida, sua visão em relação ao externo e interno.
Carlos Drummond é um gênio.
ResponderExcluirEu realmente não entendo muito poesias, quanto mais poemas. Mas foi como você disse aí: depende do seu estado de espírito.
ResponderExcluirTenho um texto meu assim: "(...)quando você banca o poeta... ah, aí você entende a cabeça do autor".
Das partes que entendi neste eu gostei e me identifiquei, mas dei risada do pobre passarinho :X
www.RauLIzar.blogspot.com/2009/08/12b.html